Quem é Maria Luiza Ribeiro Viotti, embaixadora do Brasil nos EUA que teve visto revogado pelo governo Trump
04/08/2026
(Foto: Reprodução) Governo Trump anuncia revogação de visto da embaixadora do Brasil nos EUA
A embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti, de 72 anos, teve seu visto norte-americano revogado nesta terça-feira (4). Segundo o Departamento de Estado, a medida é uma resposta à demora das autoridades brasileiras em conceder o aval diplomático para que Daniel Perez assuma a embaixada dos EUA no Brasil.
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Maria Luiza foi embaixadora do Brasil junto à ONU entre 2007 e 2013, quando se tornou embaixadora do Brasil na Alemanha.
Em um período anterior na Missão do Brasil na ONU, atuou como vice-presidente da comissão preparatória da Cúpula Mundial de Desenvolvimento Sustentável em Joanesburgo, entre outras ocupações.
No Brasil, ocupou diversos cargos no Ministério de Relações Exteriores, como diretora-geral do Departamento de Organizações Internacionais, de Direitos Humanos e Assuntos Sociais e chefe da Divisão da América do Sul, onde foi responsável pelas relações com Argentina, Uruguai, Paraguai e Chile.
Maria Luiza Ribeiro Viotti, em imagem de 2011
UN Photo/Eskinder Debebe
Além de concluir o Curso de Preparação à Carreira Diplomática do Instituto Rio Branco, em 1976, a diplomata é graduada em economia pela Associação de Ensino Unificado do Distrito Federal (AEUDF) e concluiu um curso de pós-graduação na Universidade de Brasília. Maria Luiza Ribeiro Viotti nasceu em 27 de março de 1954, em Belo Horizonte (MG).
A revogação do visto
A revogação do visto ocorre em meio à demora das autoridades brasileiras em conceder o aval diplomático para que Daniel Perez assuma a embaixada dos Estados Unidos no Brasil. Indicado ao cargo em junho, Perez recebeu há duas semanas a aprovação de uma comissão do Senado norte-americano, mas sua nomeação ainda precisa ser confirmada pelo plenário da Casa.
Além disso, pela tradição diplomática, antes de um embaixador assumir o posto, o país que irá recebê-lo precisa autorizar a indicação. Segundo o Departamento de Estado, o Brasil ainda não concedeu esse aval.
O governo americano alega que as autoridades brasileiras sinalizaram que a autorização só deve ser dada após as eleições presidenciais de outubro. O Departamento de Estado disse ainda não descartar outras medidas.
"Lamentamos a situação em que nos encontramos, mas deixamos muito claro que a reciprocidade é a regra do jogo. Se outro governo não permitir que realizemos nosso trabalho da maneira adequada, responderemos com medidas recíprocas."
A revogação do visto da embaixadora brasileira foi anunciada 10 dias após o Itamaraty negar vistos a dois diplomatas do Departamento de Estado que viajariam ao Brasil: o secretário-assistente Riley M. Barnes e o subsecretário-assistente Samuel Samson.
Os dois foram citados em reportagem do jornal The Washington Post como responsáveis por uma estratégia para questionar a integridade e a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro.
Um porta-voz do Departamento de Estado negou que os funcionários pretendiam interferir nas eleições.
Segundo os EUA, a visita tinha como objetivo discutir "integridade eleitoral, liberdade religiosa e liberdade de expressão" com autoridades brasileiras e representantes da sociedade civil.
Em 29 de julho, o blog da Andreia Sadi revelou que o governo brasileiro já esperava algum tipo de retaliação após a negativa dos vistos. Fontes do Itamaraty avaliavam uma reação no campo diplomático, com novas restrições de vistos.
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