Quatro jogadores do Haiti jogaram por clube de projeto social brasileiro e hoje disputam a Copa do Mundo; entenda

  • 19/06/2026
(Foto: Reprodução)
Jogadores do Haiti perfilam-se durante a execução dos hinos nacionais antes da partida. REUTERS/Pilar Olivares Quando a seleção de Carlo Ancelotti enfrentar o Haiti nesta sexta-feira (19), pela segunda rodada da Copa do Mundo de 2026, quatro jogadores do adversário terão uma conexão em comum com o Brasil. Todos passaram pela Academia Pérolas Negras, projeto social criado por brasileiros no país caribenho há mais de 20 anos. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia O goleiro Josué Duverger, o lateral-direito Carlens Arcus, o meio-campista Danley Jean Jacques — que jogou a Copinha de 2017 — e o atacante Derick Etienne passaram pelo projeto, que foi criado pela ONG Viva Rio durante a atuação do país na missão de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) no Haiti. A iniciativa nasceu em meio a um dos períodos mais turbulentos da história recente do país caribenho e transformou o futebol em uma ferramenta de inclusão social, educação e desenvolvimento profissional. Hoje, mais de duas décadas depois, seus frutos estarão do outro lado do campo diante da seleção pentacampeã mundial. A história do Brasil no Haiti A relação começou em 2004. Naquele ano, após uma crise política e uma guerra civil que derrubaram o então presidente Jean-Bertrand Aristide, o Brasil assumiu o comando da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah). O país liderou a operação militar internacional até 2017. Também em 2004, a ONG Viva Rio iniciou sua atuação no território haitiano a convite da ONU. A proposta era desenvolver projetos sociais em áreas como saúde, educação e segurança pública, mas o futebol rapidamente se tornou uma das principais ferramentas de integração social. O vínculo ganhou ainda mais força em 19 de agosto daquele ano, quando a seleção brasileira desembarcou em Porto Príncipe para disputar o chamado "Jogo da Paz". A partida reuniu milhares de pessoas nas ruas da capital haitiana e se tornou um símbolo da aproximação entre os dois países. Foi nesse contexto que surgiu a Academia Pérolas Negras. Militares da Minustah no Haiti. UN/MINUSTAH/Jesús Serrano Redondo O que é o Pérolas Negras Criada pela Viva Rio, a Academia Pérolas Negras foi concebida para oferecer muito mais do que treinamento esportivo. Além do futebol, os jovens atendidos pelo projeto tinham acesso a educação, acompanhamento nutricional, fisioterapia e serviços de saúde. A ideia era criar oportunidades para adolescentes em situação de vulnerabilidade social. Com o passar dos anos, a iniciativa expandiu suas atividades e começou a participar de competições internacionais. Em 2016, o projeto ganhou uma sede no Rio de Janeiro e passou a disputar torneios oficiais no Brasil, inicialmente com equipes compostas majoritariamente por atletas haitianos e refugiados. O Pérolas Negras participou de duas edições da Copa São Paulo de Futebol Júnior, em 2016 e 2017. No ano seguinte, conquistou o título da então quarta divisão do Campeonato Carioca e iniciou sua trajetória no futebol profissional brasileiro. Atualmente, disputa a Série A2 do Campeonato Carioca e mantém categorias de base filiadas à Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro. Academia Pérolas Negras Reprodução Os quatro jogadores do Haiti formados pelo projeto Josué Duverger O goleiro de 25 anos é a terceira opção da seleção haitiana na Copa do Mundo e faz parte da geração que passou pelo processo de formação da Academia Pérolas Negras, ainda no Haiti. Carlens Arcus Aos 29 anos, o lateral-direito é um dos jogadores mais experientes do elenco haitiano e atua no futebol francês. Ele também passou pelo projeto brasileiro, também no Haiti, antes de consolidar a carreira internacional. Atualmente, defende o Angers, da França. Danley Jean Jacques É o caso de maior destaque. O meio-campista de 26 anos atua pelo Philadelphia Union, dos Estados Unidos, e se tornou um dos principais nomes da seleção haitiana. Antes disso, passou pela base do Pérolas Negras, no Rio de Janeiro, integrou a equipe que disputou a Copinha de 2017 e, posteriormente, construiu carreira na França, onde defendeu o Metz. Derick Etienne O atacante, que atua nos Estados Unidos, também teve parte de sua formação ligada ao projeto e integra a lista de jogadores que passaram pela Academia antes de chegar à seleção principal haitiana. Danley Jean Jacques, Derrick Etienne, Carlens Arcus e Josué Duverger, respectivamente, Reprodução/Redes Sociais Agora no g1

FONTE: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2026/06/19/quatro-jogadores-do-haiti-jogaram-por-clube-de-projeto-social-brasileiro-e-hoje-disputam-a-copa-do-mundo-entenda.ghtml


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