Menina sofre lesão cerebral após levar choque em tomada de casa no litoral de SP
02/04/2025
(Foto: Reprodução) Sophia Andrade da Silva, de dois anos, ficou com sequelas após sofrer um choque elétrico na tomada da própria casa em Santos (SP). Segundo a mãe, a menina teve uma parada e uma lesão cerebral. Sophia teve sequelas após choque na tomada de casa em Santos (SP)
Arquivo pessoal
Uma menina, de dois anos, ficou com sequelas graves após tomar um choque elétrico na tomada de casa em Santos, no litoral de São Paulo. Ao g1, a mãe de Sophia Andrade da Silva disse que ela sofreu uma parada cardiorrespiratória e lesão cerebral, ficando internada por dois meses. A família tenta adquirir uma cadeira de rodas para a pequena.
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“Hoje ela não fala mais, não está andando, não consegue segurar o tronco, cabeça. Ela está tomando remédio e fazendo fisioterapia”, lamentou a mãe da menina, Shirley de Jesus Andrade, de 26 anos. "Estou tentando ser muito forte".
O acidente ocorreu enquanto Shirley trabalhava, em 19 de dezembro de 2024. À época, Sophia tinha 1 ano e 11 meses e cochilava com o pai no quarto do casal, no Centro de Santos, mas acordou em silêncio e enfiou a mão em uma tomada do cômodo, ficando "grudada" no local.
O pai acordou com o cheiro de queimado e encontrou a bebê desfalecida. A menina foi levada às pressas para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Central, onde Shirley descobriu que ela sofreu a parada cardiorrespiratória e chegou a ser reanimada pela equipe médica.
O laudo médico, obtido pelo g1, aponta que a menina teve sequela de falta de oxigênio no cérebro secundária à parada cardiorrespiratória. Sophia sofreu tetraparesia espástica [condição que causa perda de força nos quatro membros], teve perda de controle de tronco e, ainda, distúrbio de sono.
Internação e nova rotina
Sophia foi transferida da UPA Central para a Santa Casa de Santos no mesmo dia do acidente. No local, ficou entubada por uma semana e permaneceu na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) por um mês. Depois disso, ainda ficou na enfermaria por outro mês.
Autônoma, Shirley trabalhava em um salão de beleza antes de tudo acontecer. Ela disse não ter sido capaz de conciliar o ofício com as consultas de fisioterapia e outros cuidados com a filha, que toma quatro remédios por dia – incluindo canabidiol.
Ela ressaltou ao g1 que a filha era 'precoce', pois andou e começou a falar muito cedo. Sempre alegre e esperta, ela “não parava um minuto” e nunca deu trabalho com idas ao médico. O cenário atual, porém, é diferente.
“É horrível, é horrível. Eu nunca imaginei passar por isso na minha vida [...]. Isso me mata todos os dias, ver minha filha assim. Ainda mais que ela era uma criança que sempre foi saudável. Então, eu estou tentando ser muito forte para passar isso para a minha filha”, disse Shirley.
O que vem pela frente?
Sophia ficou internada por dois meses após choque elétrico que sofreu em Santos (SP)
Arquivo pessoal
Shirley afirmou que o marido sustenta a casa sozinho atualmente e, por conta disso, a renda da família diminuiu. Segundo ela, Sophia está na fila do Sistema Único de Saúde (SUS) para adquirir uma cadeira de rodas, mas o tempo estimado para a entrega é de até um ano e meio.
“Ando com ela no colo, minha coluna está travando porque ela é muito pesada, minha filha está pesando 16 kg. E ela é muito grande”, afirmou a mulher, que agora conta com a ajuda de amigos e familiares por meio de rifas e arrecadações.
Shirley recebeu recomendações sobre um tratamento que se chama estimulação transcraniana por corrente contínua. Segundo a mãe, a criança fez uma avaliação com uma médica especializada no bairro Ponta da Praia, mas o procedimento custa em torno de R$ 5 mil a cada 10 sessões.
“Ela está sendo guerreira, minha filha é um milagre. No hospital, todo mundo falava que ela era um milagre”, afirmou a mãe. “Tenho muita fé em Deus e eu acredito muito que minha filha vai se recuperar bem”.
Choque e risco de morte
Aparelho conectado na tomada
Reprodução/RBS TV
O médico neurocirurgião Guilherme Rossoni afirmou que acidentes com choque elétrico podem ser fatais, especialmente quando acontecem com crianças pequenas.
"Quando a corrente elétrica atravessa o corpo, pode afetar diretamente o coração e o cérebro. No caso relatado, a menina teve uma parada cardíaca e uma anóxia cerebral, que é quando o cérebro fica sem oxigênio por um período crítico. Na maioria dos casos pode causar sequelas neurológicas importantes, como dificuldades motoras, cognitivas e de linguagem", explicou ele.
A neurocirurgiã pediátrica Erika Tavares acrescentou que, se o cérebro ficar por alguns segundos sem receber oxigênio, ocorre a morte de neurônios. Ela pontuou que a tetraparesia é a perda de força nos quatro membros, pernas e braços.
Erika esclareceu que o tratamento de estimulação transcraniana por corrente contínua funciona com o uso de eletrodos. Segundo ela, o procedimento tem como objetivo recuperar as células que não morreram no cérebro, para desenvolvê-las e ativá-las.
Respostas
A Santa Casa de Santos informou, por meio de nota, que a paciente deu entrada no hospital no dia 19 de dezembro de 2024 proveniente da UPA Central. Ela recebeu o suporte clínico da equipe multidisciplinar e teve alta em 7 de fevereiro deste ano para seguimento ambulatorial.
Também em nota, a Secretaria de Saúde de Santos informou que todas as órteses, próteses e materiais especiais são adquiridos via licitação, conforme lei em vigor no Brasil. A paciente é assistida pelo Centro Especializado em Reabilitação (CER) e a prescrição da cadeira é de fevereiro deste ano.
"O processo para a aquisição de cadeiras motorizadas e de banho está em andamento e seguirá o rito da administração pública", pontuou a pasta.
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